Publicado por: marlene1977costa | Junho 29, 2008

Centro Comunitário de Espinho

 

          Este trabalho de terreno foi realizado na unidade curricular de Educação Social, leccionado pela docente Márcia Cardoso. Foi realizado com o objectivo de nos inteirarmos de uma forma mais real com o trabalho de um educador social. Na minha opinião foi um trabalho bem conseguido e uma experiência única. Para finalizar, quero só acrescentar que este trabalho foi feito por mim, pela Cristina e pela Rosana.

A instituição situa-se na cidade de Espinho, na zona Industrial, perto dos bairros sociais dos “ciganos” e dos “vareiros”, cujo nome é “Centro Comunitário de Espinho” e está integrada no âmbito comunitário de “Espinho Terra, Espinho Mar”. Esta instituição trabalha com diversas valências na vertente de intervenção sócio-comunitária, tendo pois para esse efeito, profissionais do serviço social (quatro assistentes sociais), trabalho de animação e intervenção sócio-comunitária asseguradas por duas educadoras sociais com assistentes e por um psicólogo. Para o trabalho das educadoras sociais e psicólogo, existem três ludotecas situadas: a primeira situa-se na freguesia de Silvade, na zona costeira de Espinho, onde se trabalha o bairro da marinha; em relação à freguesia de Anta, existem duas ludotecas em dois pólos de intervenção, nomeadamente no lugar de Esmojães e o outro no centro de Anta. Em relação a estas ludotecas, tentam dar resposta aos trabalhos feitos com crianças do primeiro ciclo, fazendo também o acompanhamento da ocupação dos seus tempos livres (brincar, ensinar questões de competências básicas e também o apoio na realização dos trabalhos de casa). Existe também o espaço de clube de jovens, que funciona para todos os jovens de idade superior ao primeiro ciclo (11/12 aos 18 anos). Tendo estes jovens interesses, formas de estar e brincadeiras muito diferentes, este clube de jovens está dividido em dois grupos: o clube juvenil (para jovens entre os 11/13 anos) e o clube júnior (para jovens entre os 13/18 anos).

Para além destas actividades com crianças e jovens, existem os centros de convívio, em que as actividades são mais dirigidas para a comunidade adulta. Estes centros dividem-se em três grupos: convívio no feminino (só para mulheres em situações precárias de emprego, de desemprego e na sua maioria, as mulheres beneficiárias do rendimento social de inserção); os cenários étnicos que apesar de serem muito semelhantes ao convívio no feminino, são dirigidos unicamente para a comunidade cigana; por último o convívio dos avós, que é o espaço de partilha, de intercâmbio e de enriquecimento de valores. Este último infelizmente, é um espaço que funciona muito pontualmente e esporadicamente, pois só é feito sempre que há disponibilidade para tal. No entanto, não é considerado pela instituição um espaço menos importante, mas que obriga a realização de actividades mais arrojadas e complexas e neste momento, com a complexidade que existe já nas outras valências não têm conseguido dar resposta. Contudo, estão cientes que em breve esta situação vai ser resolvida. Em relação às ludotecas funcionam todos os dias, das 14.30h às 19.30h; os clubes de jovens funcionam também todos os dias, no período das 17.30h às 19.30h. Por último, em relação aos centros de convívio, não funcionam todos os dias em todos os espaços: na marinha de Silvalde, o convívio das mulheres de etnia cigana funciona à terça-feira, das 15h às 16.30h; no que se refere, ao convívio das mulheres em Esmojães, é à quarta e sexta-feira, no mesmo horário. Ao nível do Centro Comunitário, neste momento a equipe técnica é composta por três assistentes sociais, uma técnica superior de educação, uma educadora social (Dra. Cristina Oliveira) e um psicólogo, que está neste momento a 50% no centro. Em relação à equipe técnica do protocolo, é composta por uma assistente social, a Dra. Cristina e um psicólogo. A instituição funciona de segunda a sexta-feira, sendo assim o fim-de-semana os dias de descanso dos profissionais.

Em relação à experiência deste trabalho de terreno, focando essencialmente a população cigana na qual nós tivemos contacto, e na relação que esta instituição estabelece com esta etnia, verificamos que fazem na prática uma articulação directa dos conteúdos teóricos, que em muito favorece a intervenção e sucesso que adquire a população em causa. De acordo com Petrus (1998), a educação social é entendida como um processo para adaptar o indivíduo a um meio social concreto, ou seja, a educação seria uma adaptação do homem ao meio (no seu contexto físico, social e cultural). Esta deve ser também adaptativa e evolutiva ao mesmo tempo, pois deve ser capaz de integrar o indivíduo e converter-se num factor de mudança e de melhoria desse mesmo meio.

A educação social também pode ser entendida como uma forma de socialização, ou seja, permite que os indivíduos se integrem na sociedade, assimilando as atitudes necessárias para conviver, sem conflitos, na sociedade em que estes se encontram inseridos. Desta forma, ajuda o indivíduo biológico a transformar-se em indivíduo social, através da aprendizagem da cultura da sociedade.

 

Vários autores definem a educação social como a aquisição de competências sociais dentro do contexto social, favorecendo assim a comunicação (através da linguagem). É importante uma reflexão por parte do indivíduo para compreender a sua própria realidade e a do grupo em que vive. Nesta perspectiva, a educação social tem como objectivo que os indivíduos adquiram competências sociais para a correcta vida em grupo, para que possa alcançar a integração e o êxito social. Neste sentido, é importante “educar” para a participação social, criando estruturas cognitivas e afectivas no sujeito.

 

Verificamos neste trabalho e de acordo com Petrus, que a educação social deve ser educativa e não meramente assistencialista, pois muitas destas utentes (etnia cigana) estão integradas nos projectos desta instituição, com a finalidade de receber o rendimento social de inserção. No entanto, deixam de estar “obrigadas” pelo motivo das faltas a que estão sujeitas (que lhes retiraria esse rendimento), passando a ir de “livre e boa vontade”, adquirindo novas competências, principalmente a nível das competências básicas essenciais. Podemos focar também que nesta instituição a educação social é entendida e trabalhada como didáctica do social, pois utilizam um conjunto de estratégias e intervenções sócio-comunitárias, fazendo frente aos problemas sociais daquela etnia.

 

Segundo Petrus (1998), a educação social é uma acção consciente, reflexiva e planificada, que se fundamenta essencialmente na técnica e na metodologia, para que se consiga intervir de uma forma positiva, sobre uma determinada realidade social. Podemos concluir, que a grande variedade de estratégias pode levar ao maior sucesso na intervenção, no entanto, é necessário ter em conta o contexto em que se insere a população. Neste caso, tanto a nível da instituição como da parte dos profissionais, a educação social é utilizada também pela vertente de acção próxima da inadaptação social, ou seja, tentar minimizar a marginalização.

 

 

 

 

 

Publicado por: marlene1977costa | Abril 18, 2008

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